CULTURA AFRO

Ciranda da Crioula apresenta exposição ''Afro'' em Cuiabá

Redação 24 Horas News / | 06/07/2018 19:58:49

Evento celebra a historicidade das mulheres Terezas; personificando alegrias, dores, lutas, esperança e reflexões sobre a negritude

A Ciranda da Crioula coordena no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá-MISC, nos dias 13 a 30 de julho, a exposição ''De Benguela, de Cuiabá, do mundo, Terezas", pelas voluntariosas Érica Sales, Isis de Castro e Gilda Portella.

O evento exibe obras de Gilda Portella, Meg Marinho e Paty Wolff, retratando o universo infanto-juvenil e de mulheres negras anônimas, e do cotidiano das artistas ou da História brasileira e matogrossense. Celebra a historicidade das mulheres Terezas; personificando alegrias, dores, lutas, esperança e reflexões sobre a negritude, e nuances culturais da matriz africana, vetores do universo feminino negro, suas raízes profundas e condutoras da história e cultura matogrossense. São obras de mulheres que retratam mulheres, evidenciando o feminino contando sua história, ou da Outra, sensibilizando os olhares pela Arte.

Além das organizadoras, o movimento tem Edilaine Duarte, Claudio Benassi, Lindalva Alves, Luana Soares, Luiz Renato, Maria Clara Bertúlio, Silviane Ramos, Talita Gonçalves, Tereza Helena, Cristovão Luiz, Grupo Aguerê, Lupita Amorim,  Antonieta Luisa Costa, Gonçalina Eva Almeida de Santana, Silviane Ramos, Regina Cancio, Graça Almeida, Ivan Neto, Mario Luiz, Grupo Aruandê, Mestre Borracha, Sonia Aparecida, Isla Castro e João Almeida.

São as Mulheres em ciranda... Uma por todas e todas por uma... já ouvimos essa cantiga nas caminhadas a militar... Nessas telas, nessas telas, estamos todas lá! Cores, faces, lutas e bandeiras a levantar. È um projeto ousado de toda arte misturar. É a cara de quem organiza, num misto de congregar.... estão elas uma por todas e todas por uma em suas telas a registrar! Mas nessa ciranda tem poeta, tem cantora, grafiteira, atriz a embalar, essa mistura de artes de todas por uma propiciando o Encantar!

HISTÓRIA

Tereza Benguela liderou entre 1750 e 1770, após a morte de seu companheiro, José Piolho, o Quilombo do Quariterê, situado entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá, capita de Mato Grosso. O lugar abrigava mais de 100 pessoas.

Durante seu comando, a Rainha Tereza criou uma espécie de parlamento e reforçou a defesa do Quilombo do Quariterê com armas adquiridas a partir de trocas ou levadas como espólio após conflitos. Nas suas terras eram cultivados milho, feijão, mandioca, banana e algodão, utilizado na fabricação de tecidos.

Tereza de Benguela é, assim como outras heroínas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos últimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e à pesquisa ou ao resgate de documentos até então não devidamente estudados, na busca de recontar a história nacional e multiplicar as narrativas que revelam a formação sociopolítica brasileira.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais, Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava à risca, sem apelação nem agravo.” -Anal de Vila Bela do ano de 1770.

Em 2 de junho de 2014, foi instituído por meio da Lei nº 12.987, o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.